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Trapézio de Prismas — Comércio de Máquinas e Equipamentos, Lda.

Guia

Lubrificantes para plataformas e máquinas: tipos de óleo, mudanças, misturas e contaminação

O óleo certo, limpo e mudado a tempo protege bombas, motores e cilindros. Explicamos os tipos de lubrificante, porque não se devem misturar óleos e o que fazer quando o óleo aparece contaminado.

Publicado: 26 de outubro de 2026Última revisão: 26 de outubro de 20269 min de leitura

Em resumo: use sempre o óleo indicado no manual da máquina, mantenha-o limpo e mude-o nos intervalos do fabricante. Não misture óleos de marcas ou tipos diferentes, porque os aditivos podem reagir entre si. Se o óleo aparecer leitoso, com limalhas, restos de borracha ou cheiro a gasóleo, pare a máquina, descubra a causa e, na maioria dos casos, drene, lave o sistema e encha com óleo novo.

Quase todas as plataformas elevatórias e muitas máquinas de obra trabalham com hidráulica. As folgas dentro de bombas, válvulas e motores hidráulicos são tão pequenas que pouca sujidade chega para as gastar ou encravar. A JLG lembra que o olho humano só vê partículas a partir de cerca de 40 mícrones, e que um óleo contaminado pode até anular a garantia. Escolher, guardar e mudar bem o lubrificante é das formas mais baratas de evitar avarias.

Que lubrificantes tem uma máquina

Lubrificantes de uma plataforma elevatória
LubrificanteOnde se usaO que ter em conta
Óleo hidráulico mineral (HM/HLP ou HV/HVLP)Depósito, bomba, válvulas, cilindros e motores de translaçãoClasse de viscosidade ISO VG (por exemplo 32 ou 46) adequada à temperatura de trabalho. Os óleos HV/HVLP mantêm a viscosidade mais estável entre o frio e o calor.
Óleo hidráulico biodegradável (HEES, éster sintético)Máquinas que trabalham junto a água, em espaços verdes ou em obras com exigências ambientaisSó se o fabricante o aprovar para a máquina. Não se mistura com óleo mineral.
Óleo de motorMotores diesel, a gasolina ou a GPLEspecificação e viscosidade do fabricante do motor. Muda-se sempre com o filtro.
Óleo de engrenagens EPRedutores de translação (cubos das rodas) e redutor de giro da torreÓleo de extrema pressão com a viscosidade indicada no manual. O nível verifica-se pelo bujão.
Massa lubrificanteCavilhas, articulações, coroa de giro e patins de deslizamento da lançaNormalmente massa multiusos de extrema pressão resistente à água. Não misture massas diferentes sem confirmar que são compatíveis.
Tabela genérica. O tipo, a quantidade e o intervalo variam de modelo para modelo: confirme sempre no manual da sua máquina.

Cada modelo tem o seu óleo. Num manual de serviço das tesouras elétricas ES, a JLG recomenda um óleo hidráulico multigrau 10W-30 com índice de viscosidade de 152. No manual da plataforma de mastro 10MSP indica óleo hidráulico ISO VG 32 ou 46 e massa multiusos de extrema pressão com boa resistência à água. Antes de atestar, veja o autocolante do depósito e o manual.

Porque é que a qualidade e as mudanças de óleo são tão importantes

O óleo faz quatro trabalhos ao mesmo tempo: transmite a força, lubrifica, arrefece e protege contra a corrosão. Com o tempo, o calor e a água oxidam-no, os aditivos gastam-se e as partículas acumulam-se. Um óleo cansado continua a parecer óleo, mas já não protege como devia.

Os intervalos dependem do modelo e do trabalho:

  • No manual de serviço das tesouras ES, a JLG recomenda mudar o óleo hidráulico todos os anos e trocar os filtros também uma vez por ano.
  • No manual da 10MSP, a indicação é mudar o óleo hidráulico de 2 em 2 anos e verificar o nível todos os dias.
  • Nas plataformas de acesso baixo, a JLG manda substituir o óleo hidráulico na inspeção anual e verificar se o sistema está contaminado.
  • Os intervalos de lubrificação dos manuais são para uso normal. Com muito pó, humidade, sal ou muitas horas de trabalho, devem ser encurtados.

Estes exemplos são indicativos. A regra é sempre o plano de manutenção do manual da sua máquina, e a análise de óleo ajuda a decidir quando mudar.

Porque não se devem misturar óleos

Dois óleos com a mesma viscosidade não são necessariamente compatíveis. Cada óleo tem um pacote de aditivos (antidesgaste, antioxidante, anticorrosão, antiespuma, desemulsionante), e pacotes diferentes podem reagir entre si. Nos manuais, a JLG avisa que não é aconselhável misturar óleos de marcas ou tipos diferentes e que se deve evitar misturar óleos de base mineral e sintética.

O que pode acontecer:

  • Precipitados e lamas: aditivos ácidos de um óleo reagem com aditivos básicos de outro, sobretudo com água e calor, e formam uma pasta que entope filtros e válvulas.
  • Óleos com zinco e óleos sem zinco: estes dois sistemas de aditivos antidesgaste são muitas vezes incompatíveis.
  • Espuma e má separação do ar e da água: a bomba cavita e o óleo oxida mais depressa.
  • Vedantes: algumas misturas fazem inchar ou encolher os vedantes, e aparecem fugas.
  • Mineral com biodegradável: a mistura perde as propriedades ambientais e muda a viscosidade.

Num ensaio citado pela revista técnica europeia Lube-Tech, mais de um quarto de 50 óleos hidráulicos miscíveis testados não eram compatíveis. Até óleos da mesma marca podem não o ser.

Atenção também ao tipo de óleo, e não só à viscosidade. Alguns fabricantes especificam para o circuito hidráulico um óleo multifunções tipo UTTO, do tipo usado nas transmissões de tratores, e não um óleo «hidráulico» comum. Nesse caso, atestar com um óleo hidráulico genérico da mesma viscosidade continua a ser uma mistura. Confirme no manual ou no autocolante do depósito.

Na prática: ateste sempre com o mesmo óleo que já está na máquina. Se não souber qual é, não arrisque: fale com o fornecedor do óleo, a quem pode pedir uma análise de compatibilidade.

Como mudar de tipo de óleo

  1. Confirme no manual ou com o fabricante que o novo óleo é aprovado para a máquina e para os vedantes.
  2. Com o óleo quente e a máquina recolhida, drene o depósito e, se o manual o indicar, os cilindros, as mangueiras e os componentes.
  3. Limpe o depósito e substitua os filtros.
  4. Encha com o óleo novo, trabalhe todas as funções e repita a drenagem se for preciso.
  5. Nas semanas seguintes, vigie os filtros e peça uma análise ao óleo ao fornecedor do lubrificante.

Na passagem de óleo mineral para biodegradável usa-se como referência a norma ISO 15380, que aceita no máximo 2 % de óleo mineral residual. Segundo a Q8Oils, depois de drenar fica cerca de 40 % do óleo antigo nas bombas, tubos e cilindros, pelo que podem ser precisas quatro drenagens seguidas, ou menos se se esvaziarem os componentes.

Contaminação: como a reconhecer e o que fazer

Para a JLG, a contaminação é o grande inimigo do sistema hidráulico: óleo errado, humidade, massa, limalhas, restos de vedantes ou areia que entram durante a manutenção, ou cavitação da bomba por falta de aquecimento ou por uma fuga na aspiração. Sempre que trocar filtros, examine-os à procura de partículas. Se encontrar metal ou borracha, a JLG manda drenar e lavar todo o sistema.

Contaminação do óleo: sinais, causas e o que fazer
ContaminanteSinaisCausa provávelO que fazer
Limalhas de ferro ou açoPartículas cinzentas ou brilhantes no filtro, no íman ou no bujão; ferro alto na análise; ruído da bomba ou do redutorDesgaste de bomba, motor hidráulico, engrenagens, veios ou rolamentosParar a máquina. Encontrar o componente gasto, reparar ou substituir, drenar e lavar o sistema, trocar os filtros e analisar de novo. Numa máquina nova, algumas partículas podem vir da rodagem.
Bronze, latão ou cobrePartículas amarelas ou douradas; cobre alto na análiseCasquilhos e anilhas de encosto em bronze ou latão; refrigerador de óleoComo no ferro. Se só o cobre subir, sem outros sinais, pode vir do refrigerador: confirme com análises seguidas.
AlumínioPartículas prateadas e macias; alumínio alto na análiseCorpos de bomba, casquilhos e anilhas; se vier com silício, é sobretudo póVer se o alumínio vem com silício (pó) ou sozinho (desgaste) e tratar a causa. Lavar o sistema e trocar os filtros.
Restos de vedantes ou borrachaFragmentos pretos ou fios de borracha no filtro; fugas; movimentos lentos; cilindro que desce sozinhoVedantes de cilindro danificados, mangueira degradada por dentro, óleo incompatível com os vedantesEncontrar e substituir o vedante ou a mangueira, drenar e lavar o sistema. Confirmar que o óleo é compatível com os vedantes.
Gasóleo no óleo do motorNível de óleo a subir; óleo mais fino; cheiro a gasóleoFuga em injetores ou na bomba injetora; má combustãoNão trabalhar com a máquina. Reparar a fuga e mudar o óleo e o filtro. O combustível baixa a viscosidade e a lubrificação.
ÁguaÓleo turvo ou leitoso; água no fundo do depósito; ferrugemCondensação, lavagem à pressão, tampas e respiros mal protegidos, máquina parada à chuvaDrenar, lavar e encher com óleo limpo, como indica a JLG. Corrigir a entrada de água.
Líquido de refrigeração (glicol)Óleo do motor leitoso ou espesso, lamas; sódio, potássio ou boro na análise; refrigerante a baixar sem fugas visíveisFuga na junta da cabeça, no refrigerador de óleo ou nas camisasParar o motor. Reparar a fuga, mudar o óleo e o filtro e analisar de novo.
Pó e areia (sílica)Silício e alumínio altos na análise; código ISO 4406 alto; desgaste rápidoRespiro sem filtro, tampas abertas, atestos com recipientes sujos, raspadores das hastes gastosTrocar os filtros e o respiro, filtrar ou mudar o óleo e fechar a entrada de sujidade.
Sobreaquecimento ou oxidaçãoÓleo escuro, cheiro a queimado ou azedo, vernizes, viscosidade alteradaÓleo velho, nível baixo, refrigerador sujo, válvula de alívio a trabalhar muito tempo, óleo erradoMudar o óleo e os filtros e descobrir porque aquece: nível, refrigerador, válvulas e pressões.
Os sinais à vista ajudam a suspeitar, mas só uma análise de laboratório confirma. Os limites a partir dos quais se deve agir dependem da máquina e do laboratório.

A cor dá uma pista: um depósito escuro sugere oxidação, um óleo leitoso sugere água, e um gel ou uma lama clara, da cor do óleo, sugere sobretudo mistura de óleos ou precipitação de aditivos. Estas lamas tendem a assentar em passagens estreitas, válvulas pequenas e orifícios, muitas vezes longe do depósito. Por isso, mudar só o óleo do depósito pode não chegar, e podem ser precisas várias mudanças de óleo ou lavagens do sistema.

Em máquinas com nivelamento ou comandos eletrónicos, uma resposta hidráulica lenta pode gerar códigos de falha. Por isso, leia também os códigos de falha: a mesma queixa pode ter origem hidráulica ou elétrica.

Análise de óleo

Uma análise de laboratório mostra o que não se vê: metais de desgaste, água, combustível, glicol, pó e o estado do próprio óleo. Pode pedi-la ao fornecedor do óleo: os fornecedores e fabricantes de lubrificantes têm serviços de análise. Para a amostra ser útil:

  • Recolha com a máquina a trabalhar ou sempre ao mesmo tempo depois de parar, com o óleo à temperatura de trabalho, sempre no mesmo ponto.
  • Use frascos limpos próprios para análise e não puxe sedimentos nem água do fundo do depósito.
  • Identifique a máquina, as horas, o tipo de óleo e as horas desde a última mudança.
  • Compare com as análises anteriores: a tendência diz mais do que um valor isolado.

O código ISO 4406

O código ISO 4406 tem três números, que correspondem às partículas maiores do que 4, 6 e 14 mícrones por mililitro de óleo. Quanto mais baixo, mais limpo. A JLG considera aceitável um código de 19/17/14 ou inferior. Acima disso, pede a limpeza do sistema e a troca dos filtros.

Quando parar a máquina

Pare a máquina e chame um técnico se:

  • encontrar limalhas ou lascas de metal no filtro, no íman ou no bujão, fora da rodagem de uma máquina nova;
  • o óleo estiver leitoso ou houver água no fundo do depósito;
  • o nível do óleo do motor subir sozinho ou cheirar a gasóleo;
  • a análise mostrar glicol ou o refrigerante desaparecer sem fugas visíveis;
  • a bomba fizer ruído, os movimentos ficarem lentos ou aos solavancos, ou o óleo aquecer mais do que o normal.

Continuar a trabalhar espalha a sujidade por todo o circuito e pode transformar uma reparação simples numa bomba, num motor ou em cilindros novos.

Boas práticas no dia a dia

  • Armazenamento limpo: guarde o óleo novo em local coberto, com os bidões bem fechados, e use funis e recipientes só para óleo, identificados por tipo.
  • Atestos filtrados: limpe a zona da tampa antes de abrir e, se puder, ateste com uma bomba com filtro.
  • Filtros e respiros: troque os filtros nos intervalos do manual ou quando o indicador de colmatação avisar, e use filtros originais. Limpe a zona do filtro antes de o abrir. Sempre que mudar o óleo, troque o filtro e limpe o íman. Verifique o filtro do respiro do depósito.
  • Tape tudo: ao desligar tubos ou componentes, tape as aberturas e mantenha os filtros novos na embalagem até à montagem.
  • Lavagens: não aponte a lavadora de alta pressão a respiros, tampas e hastes de cilindros.
  • Registos: anote cada atesto e cada mudança na ficha da máquina, com o tipo de óleo usado.

O que fazer ao óleo usado em Portugal

O óleo usado é um resíduo perigoso, e quem o produz é responsável por o encaminhar, nos termos do Decreto-Lei n.º 152-D/2017. Segundo o manual de boas práticas da Sogilub, entidade gestora do sistema integrado de gestão de óleos usados (SIGOU), as empresas devem:

  • registar-se no SIRER, no SILiAmb, e aderir ao SIGOU;
  • entregar o óleo usado a um operador de gestão de resíduos licenciado da rede SIGOU;
  • preencher as guias eletrónicas de acompanhamento de resíduos (e-GAR).

Os particulares podem entregar o óleo na rede «Do-It-Yourself» da Sogilub.

Não misture o óleo usado com gasóleo, gasolina, água, solventes, anticongelante ou outros produtos. Se o óleo não cumprir as especificações, os custos da sua gestão podem ser imputados ao produtor. Guarde-o em recipientes estanques e identificados, sobre uma bacia de retenção. Os filtros e trapos com óleo não fazem parte deste circuito e têm de ir para um operador de resíduos licenciado.

Como a Trapézio de Prismas pode ajudar

Somos o representante oficial da JLG em Portugal. Se notar algum dos sinais descritos neste guia, ou se quiser confirmar o estado da sua máquina antes de voltar ao trabalho, peça uma inspeção técnica à Trapézio de Prismas.

Encontra também filtros e peças e os manuais JLG. Para qualquer dúvida, fale connosco.

Fontes e legislação

Este guia tem carácter informativo e não substitui a consulta da legislação em vigor nem aconselhamento jurídico. Em caso de dúvida, contacte a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Perguntas frequentes

Posso atestar com outro óleo hidráulico se tiver a mesma viscosidade?

Não é aconselhável. A mesma viscosidade não garante que os aditivos sejam compatíveis, e a JLG desaconselha misturar óleos de marcas ou tipos diferentes. Ateste com o óleo que já está na máquina e, se não o tiver, fale connosco antes de atestar.

De quanto em quanto tempo se muda o óleo hidráulico de uma plataforma?

Depende do modelo. Nalguns manuais da JLG é todos os anos, noutros de 2 em 2 anos, e em ambientes duros deve ser mais cedo. Siga o plano do manual da sua máquina e use a análise de óleo, que pode pedir ao fornecedor do óleo, para confirmar o estado do óleo.

O óleo hidráulico ficou leitoso. Basta trocar o filtro?

Não. Óleo turvo ou leitoso tem água. A JLG indica que, nesse caso, o sistema deve ser drenado, lavado e cheio com óleo limpo. É também preciso descobrir por onde entrou a água, para não voltar a acontecer.

É normal encontrar partículas de metal no filtro?

Numa máquina nova, algumas partículas podem vir da rodagem das peças, segundo a JLG. Numa máquina com horas, limalhas visíveis indicam desgaste de uma bomba, de um motor ou de rolamentos. Pare a máquina e mande verificar.

Posso pôr óleo biodegradável numa máquina que trabalha com óleo mineral?

Só se o fabricante o aprovar para a sua máquina e com uma mudança bem feita. A norma ISO 15380 aceita no máximo 2 % de óleo mineral residual, o que pode exigir várias drenagens ou o esvaziamento de componentes.

Fazemos inspeções periódicas a plataformas e máquinas de trabalho

Inspeção conforme o Decreto-Lei n.º 50/2005, com relatório escrito, por técnicos com experiência em JLG e equipamentos multimarca. Peça uma proposta.