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Trapézio de Prismas — Comércio de Máquinas e Equipamentos, Lda.

Guia

Comprar uma plataforma elevatória usada em Portugal: checklist e documentos obrigatórios

Uma plataforma elevatória usada pode ser um excelente negócio ou um problema caro. Explicamos os cinco documentos que o vendedor tem de entregar, o que a chapa de identificação e a norma EN 280 dizem sobre a máquina, como ler as horas, o que verificar sistema a sistema e os sinais de alerta. Com checklist para imprimir.

Publicado: 20 de setembro de 2026Última revisão: 20 de setembro de 202614 min de leitura

Em resumo: antes de ver a máquina, peça a declaração CE de conformidade, o manual em português, o relatório da última verificação periódica (Decreto-Lei n.º 50/2005), os registos de manutenção e uma fotografia da chapa de identificação. Sem declaração CE, a máquina não pode entrar em serviço em Portugal. Depois, leia as horas em conjunto com a idade e os registos, verifique a estrutura, a hidráulica, as baterias e os sistemas de segurança, e faça um ensaio funcional completo. No fim deste guia há uma checklist de uma página para levar consigo.

Os cinco documentos que o vendedor tem de entregar

A parte mais importante da compra acontece antes de tocar na máquina. Um vendedor sério tem estes cinco documentos e envia-os por e-mail sem hesitar. Se faltar algum, o preço tem de refletir isso ou a compra não deve avançar.

1. Declaração CE de conformidade

Qualquer máquina colocada no mercado europeu tem de ter marcação CE e uma declaração de conformidade emitida pelo fabricante, ao abrigo da Diretiva Máquinas 2006/42/CE, transposta em Portugal pelo Decreto-Lei n.º 103/2008. A partir de 20 de janeiro de 2027 passa a aplicar-se o Regulamento (UE) 2023/1230, mas as máquinas colocadas no mercado antes dessa data continuam legais.

O problema mais comum no mercado de usados são as máquinas importadas dos Estados Unidos. São construídas segundo a norma americana ANSI A92, não têm marcação CE e a chapa está em libras e pés. Quem as importa para a União Europeia assume legalmente o papel de fabricante e tem de fazer a avaliação de conformidade completa antes de as pôr a trabalhar. Na prática, isso raramente acontece: a máquina fica a trabalhar ilegalmente, a seguradora pode recusar cobrir um acidente e a ACT pode mandá-la parar. Se a chapa não tem o símbolo CE, afaste-se.

2. Manual de instruções em português

A Diretiva Máquinas exige que o manual acompanhe a máquina na língua oficial do país onde é utilizada. O manual do operador deve estar a bordo, na caixa própria da plataforma, e o manual de serviço é o que o seu mecânico vai precisar. Para máquinas JLG, os manuais estão disponíveis no site do fabricante a partir do número de série; ainda assim, a ausência do manual a bordo é um sinal de como a máquina foi tratada.

3. Relatório da última verificação periódica

O Decreto-Lei n.º 50/2005 obriga o utilizador a verificar periodicamente a máquina por uma pessoa competente e a registar o resultado num relatório com a identificação do equipamento, o tipo e a data da verificação, as anomalias e o prazo para as corrigir (artigo 7.º). O empregador tem de conservar os relatórios dos últimos dois anos, e uma cópia do último acompanha a máquina sempre que trabalha fora das instalações. Explicamos tudo no nosso guia sobre inspeções obrigatórias.

Para o comprador, este relatório vale por três coisas: diz o que uma pessoa competente encontrou há menos de um ano, mostra que o anterior dono cumpria a lei, e diz-lhe quanto tempo falta até à próxima verificação. Uma máquina sem relatório não é necessariamente má, mas tem de ser verificada antes de entrar ao serviço, e esse custo é seu.

4. Registos de manutenção

Um caderno, uma folha de cálculo ou as faturas da oficina: o formato não importa, o conteúdo sim. Procure as datas, as horas no contador em cada intervenção, as peças substituídas (sobretudo baterias, pneus, mangueiras, cilindros e joysticks) e quem fez o trabalho. Os registos têm de bater certo com o horímetro e com o desgaste que vai ver na máquina. Se dizem que as baterias foram trocadas há seis meses e os terminais estão corroídos, uma das duas coisas é falsa.

5. Chapa de identificação e número de série

Peça uma fotografia nítida da chapa. Nela estão o fabricante, o modelo, o número de série, o ano, a capacidade, o número de pessoas, a inclinação máxima admissível, a velocidade máxima do vento e a marcação CE. Nas tesouras JLG a chapa fica no chassis, junto aos comandos de solo; nas articuladas e telescópicas fica na torre giratória. Se a chapa faltar ou estiver ilegível, o número de série está gravado no chassis. Nos modelos JLG, o número de série tem 10 caracteres e os dois primeiros indicam a fábrica de origem: 12 para a Europa, 02 para os Estados Unidos, M2 para o México, B2 ou G2 para a China.

Com o número de série pode confirmar o ano real da máquina, encomendar peças sem erros, consultar os boletins de segurança do fabricante e saber se a máquina foi alguma vez registada como roubada. Nós fazemos essa verificação para qualquer máquina JLG antes de a comprar ou vender.

O que a chapa e a norma EN 280 lhe dizem

As plataformas elevatórias móveis de pessoal (PEMP) são projetadas segundo a norma europeia EN 280, que as classifica em dois grupos e três tipos. Esta classificação aparece na chapa e no manual, e determina para que trabalhos a máquina serve e que formação os operadores precisam:

  • Grupo A: a plataforma sobe na vertical e fica sempre dentro do perímetro do chassis. Tesouras e mastros verticais.
  • Grupo B: a plataforma sai para fora do perímetro do chassis. Articuladas e telescópicas.
  • Tipo 1: só se desloca com a plataforma recolhida.
  • Tipo 2: desloca-se elevada, comandada a partir do chassis.
  • Tipo 3: desloca-se elevada, comandada a partir da plataforma. É o caso de quase todas as máquinas automotoras modernas.

Três valores da chapa merecem atenção especial. A capacidade (em kg e número de pessoas) tem de ser suficiente para o trabalho que vai fazer, incluindo ferramentas e material. A inclinação máxima do chassis diz-lhe se a máquina serve para os pisos que tem. E a velocidade máxima do vento: se a chapa diz 0 m/s, a máquina é exclusivamente para interior; as máquinas de exterior são normalmente classificadas para 12,5 m/s. Comprar uma tesoura de interior para trabalhar em fachadas é um erro que se vê com frequência.

Horas e idade: como ler o horímetro

Não existe um número mágico. As horas só fazem sentido em conjunto com a idade da máquina, o tipo de trabalho que fez e os registos de manutenção. Como referência, para máquinas em obra ou indústria em Portugal:

  • Uma tesoura elétrica em uso normal acumula tipicamente 200 a 400 horas por ano. Uma máquina de cinco anos com menos de 1.000 horas teve pouco uso; com mais de 3.000 veio provavelmente de uma frota de aluguer intensiva.
  • Uma articulada ou telescópica diesel trabalha mais: 400 a 800 horas por ano é normal. Aqui o horímetro conta horas de motor, e o desgaste real depende de quanto desse tempo foi passado a elevar e quanto ao ralenti.
  • Nas máquinas de frota de aluguer as horas são altas mas a manutenção costuma ser regular e documentada. Nas máquinas de um só dono as horas são baixas mas a manutenção pode ter sido esquecida. Nenhum dos dois é melhor à partida.

Desconfie de horímetros que não batem certo com o resto: uma máquina com 600 horas não tem joysticks polidos pelo uso, pneus no fim, autocolantes apagados e pads de desgaste gastos. Compare sempre as horas do contador com as horas registadas na última fatura de manutenção e no último relatório de verificação.

Inspeção física: o que verificar, sistema a sistema

Leve uma lanterna, um pano, luvas e, se possível, alguém que conheça o modelo. Conte com uma hora para uma inspeção séria. A ordem abaixo é a que usamos nas nossas verificações.

Estrutura

  • Fissuras e deformações na tesoura, na lança, no jib e no chassis, sobretudo junto aos pontos de articulação e às soldaduras.
  • Soldaduras não originais: uma soldadura de reparação mal feita numa zona estrutural desqualifica a máquina. Procure cordões irregulares, tinta diferente ou zonas retocadas.
  • Folgas nos pinos e casquilhos: com a plataforma elevada, abane-a. Um pouco de jogo é normal; um estalido ou um movimento visível não é.
  • Nas telescópicas, os pads de desgaste da lança e o estado da corrente ou dos cabos de extensão. Nas articuladas e telescópicas, os parafusos e o jogo do rolamento de rotação da torre.

Hidráulica

  • Fugas em cilindros, mangueiras, ligações e válvulas. Uma mangueira a suar é aceitável a curto prazo; uma haste de cilindro riscada ou com corrosão significa vedantes novos em breve e, no pior caso, um cilindro novo.
  • Ensaio de descida: eleve a plataforma até meia altura, desligue e espere 15 minutos. Se desceu de forma visível, há uma válvula de retenção ou um vedante a ceder.
  • Nível, cor e cheiro do óleo hidráulico. Óleo leitoso tem água; óleo escuro e a cheirar a queimado não é mudado há muito tempo.
  • Velocidade e suavidade dos movimentos. Movimentos lentos ou aos solavancos com o óleo à temperatura de trabalho apontam para a bomba ou para as válvulas.

Baterias e sistema elétrico

Nas máquinas elétricas, as baterias são o componente mais caro que vai encontrar em mau estado. Um conjunto de baterias de tração de chumbo novas para uma tesoura pequena custa uma parte significativa do valor da máquina usada, e a sua vida útil varia entre um ano, quando são mal tratadas, e três ou mais anos com a manutenção certa.

  • Pergunte a idade e a marca das baterias e confirme com a data de fabrico gravada nelas.
  • Terminais corroídos, caixas inchadas ou fissuradas e nível de eletrólito abaixo das placas são sinais de abandono.
  • Faça um teste real: com as baterias carregadas, eleve a plataforma com carga várias vezes e veja o indicador de carga. Se cai a pique, as baterias estão sulfatadas.
  • Verifique o carregador (luz de erro, cabo, ficha) e a cablagem geral: chicotes reparados com fita isoladora e fichas oxidadas são fonte de avarias intermitentes.

Sistemas de segurança

É aqui que se decide se a máquina pode trabalhar legalmente. Teste todos, um a um:

  • Paragem de emergência nos comandos do solo e da plataforma.
  • Descida de emergência manual, com a máquina elevada.
  • Alarme e bloqueio de inclinação: ponha uma roda em cima de um calço e tente elevar.
  • Limitador de carga (nas máquinas que o têm): a plataforma deve recusar elevar com sobrecarga.
  • Proteção anti-buraco (pothole protection) nas tesouras: as barras devem descer ao elevar e a máquina não deve deslocar-se elevada se não descerem.
  • Fins de curso, buzina, sinal sonoro de movimento, luzes e rotativo.
  • Interruptor de habilitação (homem-morto) nos joysticks e retorno automático ao neutro.

Chassis, pneus e travões

  • Pneus: nas máquinas de obra, o normal são pneus cheios de espuma ou maciços; nas de interior, pneus não marcantes. Procure cortes, desgaste irregular e jantes empenadas. Um jogo de pneus novos não é barato.
  • Travão de estacionamento: a máquina não pode deslizar numa rampa.
  • Direção, eixo oscilante e, nas máquinas que os têm, estabilizadores e níveis automáticos.

Plataforma

  • Guarda-corpos direitos e bem fixos, portão com mola que fecha sozinho, piso antiderrapante sem furos, pontos de amarração para arnês identificados.
  • Extensão de deck que corre e bloqueia sem esforço.

Motor, nas máquinas diesel

  • Arranque a frio, fumo (azul é óleo, branco é água ou combustível por queimar), fugas de óleo e gasóleo, estado dos filtros, correias e alternador.
  • Horas de motor coerentes com o estado geral.

Autocolantes e manual a bordo

Parece um pormenor, mas é um dos motivos mais comuns de reprovação numa verificação: autocolantes de capacidade e de segurança ilegíveis e manual ausente. É barato de corrigir, mas conte com isso.

O ensaio funcional: 20 minutos que evitam surpresas

  1. Opere todas as funções a partir dos comandos do solo e depois da plataforma.
  2. Eleve até à altura máxima, com uma carga próxima da capacidade nominal, e desloque-se elevado (nas máquinas de Tipo 3).
  3. Ouça: gemidos hidráulicos, estalidos na estrutura, ruído anormal no motor ou nas rodas.
  4. Repita os movimentos várias vezes seguidas para pôr o óleo à temperatura de trabalho e ver se algo muda.
  5. Nas elétricas, termine o ensaio com o indicador de carga à vista: quanto gastou em 20 minutos de trabalho?

O que pesa no preço

  • Idade, horas e coerência entre as duas.
  • Estado das baterias e dos pneus: os dois consumíveis mais caros.
  • Marca e modelo: numa JLG, Genie ou Haulotte encontra peças e técnicos em Portugal; numa marca desconhecida pode não encontrar nenhum dos dois.
  • Declaração CE, manual e relatório de verificação em dia.
  • Histórico completo de manutenção.
  • Garantia e o que o vendedor faz se algo falhar na primeira semana.
  • Transporte: uma tesoura pequena vai numa carrinha com rampa; uma telescópica de 26 metros precisa de camião com plataforma. Peça o preço antes de fechar.

Sinais de alerta

  • Chapa sem marcação CE ou com unidades em libras e pés.
  • Vendedor que não tem, ou não quer enviar, os documentos.
  • Horímetro que não bate certo com o desgaste.
  • Soldaduras de reparação em zonas estruturais.
  • Cilindros riscados ou plataforma que desce sozinha.
  • Alarme de inclinação ou limitador de carga desligados ou «em ponte».
  • Pintura fresca a cobrir tudo, incluindo mangueiras e autocolantes.
  • Preço muito abaixo do mercado sem explicação.

Depois de comprar

  • Verificação antes de entrar em serviço. Uma máquina que muda de dono e de local justifica uma verificação nos termos do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 50/2005, feita por pessoa competente e com relatório. Se comprou a máquina sem relatório válido, esta é a altura de o obter.
  • Formação dos operadores. Só trabalhadores habilitados podem operar equipamentos automotores (artigo 32.º). Se a máquina é de um tipo novo para a sua equipa, trate da formação antes da entrega.
  • Seguro. Informe a seguradora da nova máquina e confirme que a apólice cobre a sua utilização.
  • Plano de manutenção. Marque desde o primeiro dia as verificações frequentes e a inspeção anual. Explicamos o calendário e as avarias mais comuns no guia de manutenção preventiva de plataformas elevatórias.

Checklist para imprimir

Reunimos tudo o que está neste guia numa página, para levar consigo quando for ver a máquina: descarregar a checklist de compra de plataforma elevatória usada (PDF).

Como funciona connosco

Na Trapézio de Prismas vendemos máquinas usadas verificadas, de várias marcas, com o histórico conhecido e os documentos em ordem. Antes da venda, cada máquina passa por uma verificação completa e é entregue com relatório.

Se está a pensar comprar uma máquina a um terceiro, fazemos a inspeção pré-compra: vamos ver a máquina consigo ou por si, em qualquer ponto do país, e entregamos um relatório escrito com o estado real, a lista de reparações necessárias e uma estimativa do seu custo. É frequentemente o argumento que falta para negociar o preço.

Peça uma inspeção pré-compra ou veja as máquinas usadas disponíveis.

Fontes e legislação

Este guia tem carácter informativo e não substitui a consulta da legislação em vigor nem aconselhamento jurídico. Em caso de dúvida, contacte a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT).

Perguntas frequentes

Posso comprar uma plataforma elevatória usada sem declaração CE?

Pode comprá-la, mas não pode pô-la legalmente a trabalhar em Portugal. Uma máquina sem marcação CE, como as importadas dos Estados Unidos, exige uma avaliação de conformidade completa por quem a importa. Na prática, o custo e a complexidade raramente compensam. Exija a declaração CE antes de pagar.

Que documentos devo exigir ao vendedor?

Cinco: a declaração CE de conformidade, o manual de instruções em português, o relatório da última verificação periódica (Decreto-Lei n.º 50/2005), os registos de manutenção e uma fotografia legível da chapa de identificação com o número de série.

Quantas horas são muitas horas numa plataforma usada?

Depende do tipo e da idade. Uma tesoura elétrica faz tipicamente 200 a 400 horas por ano; uma articulada diesel, 400 a 800. Mais importante do que o número é a coerência entre as horas, o desgaste visível e os registos de manutenção.

Onde fica o número de série numa máquina JLG?

Na chapa de identificação: no chassis, junto aos comandos de solo, nas tesouras; na torre giratória, nas articuladas e telescópicas. Se a chapa faltar, o número está gravado no chassis. Tem 10 caracteres e os dois primeiros indicam a fábrica de origem.

A máquina usada precisa de inspeção depois da compra?

Sim. Uma máquina que muda de dono e de local justifica uma verificação nos termos do artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 50/2005, por pessoa competente e com relatório, antes de entrar em serviço. Se a máquina veio com um relatório válido e recente, esse relatório serve até à data da próxima verificação.

Como sei se as baterias estão boas?

Pela idade gravada nelas, pelo estado dos terminais e das caixas e por um teste real: com as baterias carregadas, eleve a plataforma com carga várias vezes e observe o indicador. Se a carga cai a pique, estão sulfatadas. Um conjunto novo é um dos custos mais altos numa máquina elétrica usada.

Uma máquina de frota de aluguer é má compra?

Não necessariamente. Tem mais horas, mas costuma ter manutenção regular e documentada. Peça o histórico completo e faça a inspeção com o mesmo rigor. Uma máquina de um só dono com poucas horas pode ter a manutenção esquecida.

A Trapézio de Prismas faz inspeções pré-compra?

Sim. Vamos ver a máquina consigo ou por si, em qualquer ponto do país, e entregamos um relatório escrito com o estado real, as reparações necessárias e uma estimativa do custo. Vendemos também máquinas usadas verificadas, com relatório e documentos em ordem.

Fazemos inspeções periódicas a plataformas e máquinas de trabalho

Inspeção conforme o Decreto-Lei n.º 50/2005, com relatório escrito, por técnicos com experiência em JLG e equipamentos multimarca. Peça uma proposta.